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domingo, 7 de outubro de 2012

O que é...? estilo romântico

"O romantismo libertou a criação literária das coacções advindas das regras, condenou a teoria neoclássica dos géneros literários, reagiu violentamente contra a concepção dos escritores gregos e latinos como autores paradigmáticos, fonte e medida de todos os valores artísticos.

Muitas formas literárias características do neoclassicismo, tais como a tragédia, as odes pindáricas e sáficas, a égloga, etc., entraram em total decadência no período romântico, ao passo que se desenvolveram singularmente formas literárias novas como o drama, o romance histórico, o romance psicológico e de costumes, a poesia intimista e a poesia filosófica, o poema em prosa, etc.
A língua e o estilo transformaram-se profundamente, enriquecendo-se em particular no domínio do adjectivo e da metáfora. A linguagem literária abandonou os artifícios expressivos de origem mitológica, verdadeiros tópicos da tradição literária dos séculos anteriores, já surrados e desprovidos de qualquer capacidade poética, ao mesmo tempo que se aproximava da realidade e da vida: «Sem renunciar à sintaxe e à disciplina poética, o romântico reagiu, em geral, contra a tirania da gramática e combateu o estilo nobre e pomposo, que considerava incompatível com o natural e o real, e defendeu o uso de uma língua libertada, simples, sem ênfase, coloquial, mais rica». Igual tendência para a liberdade se verificou no domínio da versificação."
Aguiar e Silva, Vítor Manuel de, TEORIA DA LITERATURA, 4ª edição, Coimbra, Livraria Almedina, 1982

O que é...? Romantismo português


quinta-feira, 3 de maio de 2012

O que é... vilancete

«Etimologicamente quer dizer "cantiguinha vilã" e o termo surgiu pela primeira vez no Cancioneiro Geral. Esta composição poética nasce de um mote pequeno, popular ou alheio, e desenvolve-se nas coplas (estrofes) da glosa ou volta. Usa o metro tradicional (5 ou 7 sílabas). À cabeça, o tema inicial, seguem-se os pés (geralmente de 7 versos), o desenvolvimento. Destinava-se ao canto. Praticamente desapareceu no século XVIII, pois os árcades e os pré-românticos não o cultivaram.»


 In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-05-03].

O que é... medida velha, redondilha menor e redondilha maior

«Técnica tradicional de versejar caracterizada por estruturas como a esparsa, a cantiga e o vilancete, em redondilha menor (composição poética com versos de cinco sílabas) e redondilha maior (composição poética com versos de sete sílabas) que foram utilizadas pelos poetas do Cancioneiro Geral.
A medida velha foi conciliada com a medida nova por poetas como de Miranda, Diogo Bernardes, entre outros.»
In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-05-03].

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O que é... farsa

«Farsa. A farsa é um tipo de drama escrito com o propósito de provocar riso. É estética e literariamente inferior à comédia; é uma peça humorística na qual os personagens são rudes ou exageradamente fracos, covardes e impotentes; as situações são de exagero, improváveis, tendo por cenário consultórios de dentista, consultórios médicos, o quarto de dormir, a recepção de hotéis, etc.  É comum a associação dos dois tipos, farsa e comédia, em uma única peça humorística, com o uso da comédia para a trama maior e da farsa para os seus incidentes subsidiários. A farsa é decididamente o mais irresponsável de todos os tipos de drama. A trama existe por sua própria conta, e o dramaturgo precisa preencher somente duas exigências ao criá-la: primeiro, ela precisa ser engraçada, e segundo, ele precisa persuadir sua audiência a aceitar suas situações pelo menos no momento enquanto elas estão sendo encenadas.»

O que são... tipos de cómico

1. «CÓMICO DE CARÁCTER

Segundo a definição proposta por Henri Bergson: “É cómica a personagem que segue automaticamente o seu caminho sem se preocupar em entrar em contacto com os outros. O riso surge para corrigir a sua distracção ou para a arrancar ao seu sonho. (...) Geralmente, são deveras os defeitos de outrem que nos fazem rir - contanto, é verdade, que acrescentemos que esses defeitos nos fazem rir mais pela sua insociabilidade do que pela sua imoralidade.” (O Riso: Ensaio sobre a Significação do Cómico, Relógio d'Água, Lisboa, 1991, pp.88-91). Gil Vicente legou-nos uma vasta galeria de personagens-tipo que se destacam pelo seu carácter marcadamente insocial: por exemplo, em  Velho da Horta, caricatura um velho que tem paixões serôdias; na Farsa dos Almocreves, satiriza o fidalgo arruinado que não paga as suas dívidas; na farsa Quem Tem Farelos?, critica o escudeiro sem vintém; na Farsa de Inês Pereira, aponta o dedo ao escudeiro fanfarrão. Esta galeria de personagens que se destacam pelo seu carácter e pelos seus defeitos vai inspirar, por exemplo, D. Francisco Manuel de Melo a caricaturar a figura do pelintra Gil Cogominho, em Auto do Fidalgo Aprendiz (1646). Não só a insociabilidade serve para marcar o cómico de carácter de uma personagem, pois em certos casos basta um defeito ou fraqueza do foro psicológico para determinar o riso, como no caso do tímido Pero Marques, da também vicentina Farsa de Inês Pereira, que não quer ficar às escuras com Inês. A diferença de personalidades também pode conduzir ao cómico de carácter, como no caso dos quatro irmãos, todos muito diferentes entre si, da peça vicentina Juiz da Beira

2. «CÓMICO DE LINGUAGEM

Segundo a definição proposta por Henri Bergson: “Devemos distinguir entre o cómico que a linguagem exprime e aquele que a linguagem cria. O primeiro poderia, em rigor, ser traduzido de uma linguagem para outra, sujeito embora a perder boa parte do seu relevo ao passar para uma sociedade nova, diferente pelos seus costumes, pela sua literatura e sobretudo pelas suas associações de ideias. Mas o segundo é geralmente intraduzível. Deve o seu ser à estrutura da frase ou às palavras escolhidas. Não verifica, mediante o auxílio da linguagem, certas distracções particulares dos homens ou dos acontecimentos. Sublinha as distracções da própria linguagem. É a própria linguagem, aqui, que se torna cómica.” (O Riso: Ensaio sobre a Significação do Cómico, Relógio d'Água, Lisboa, 1991, pp.69-70). No Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente explora este tipo de cómico em particular com a personagem Joane, o Parvo, tipo marginal e grosseiro por definição, a quem a sociedade não cobraria defeitos de expressão linguística, como as célebres respostas em calão que dá ao Diabo que o quer encaminhar para a Barca do Inferno: “JOANE: Hou d’aquesta! / DIABO: Quem é? / JOA.: Eu sô. / É esta a naviarra nossa? / DIA.: De quem? / JOA.: Dos tolos? / DIA.: Vossa. / Entra! / JOA.: De pulo ou de voo? / Hou! Pesar de meu avô! / Soma: vim adoecer / e fui má-hora a morrer, / e nela, pera mi só. / DIA.: De que morreste? / JOA.: De quê? / Samicas de caganeira. / DIA.: De quê? / JOA.: De cagamerdeira, / má ravugem te dê!”. Outros exemplos no teatro vicentino, sempre modelar no recurso ao cómico, podem ser as interferências de dialectos ou estrangeirismos corruptos: a utilização de latim macarrónico (Auto da Barca do Inferno), do Português africano (Frágoa do Amor), do árabe (Cortes de Júpiter), do dialecto das ciganas (Farsa das Ciganas), do Francês, Italiano e Castelhano (Auto da Fama).»

3. «CÓMICO DE SITUAÇÃO

Segundo a definição proposta por Henri Bergson: “Uma situação é sempre cómica quando pertence ao mesmo tempo a duas séries de acontecimentos absolutamente independentes, podendo interpretar-se alternadamente em dois sentidos completamente diferentes.” (O Riso: Ensaio sobre a Significação do Cómico, Relógio d'Água, Lisboa, 1991, pp.65-66). Gil Vicente utiliza este tipo de cómico no Auto da Índia, por exemplo, quando regressa o Marido da Ama adúltera, o que merece o seguinte reparo da Moça: “Quantas artes, quantas manhas, / que sabe fazer minha ama! / Um na rua, outro na cama!”. Na Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente dá-nos outro exemplo clássico: quando o ingénuo Pero Marques se senta de costas numa cadeira, tendo atrás de si a pretendente Inês e respectiva mãe, e diz trazer uma pêras da sua pereira; quando pretende pô-las no chão, as pêras desapareceram…»

E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia, ISBN: 989-20-0088-9, <http://www.edtl.com.pt>, consultado em 28-2-2012.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O que é... mecenato

Tatiana: procurei - e encontrei - uma explicação mais completa do que aquela que te dei hoje na aula. Encontrei-a num sítio que é muito interessante para turmas de literatura (http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=464&Itemid=2). Aqui vai uma parte do texto:
Termo que denomina o apoio económico oferecido por um patrono, pessoa ou instituição abastada e influente, a artistas, cientistas ou desportistas com o intuito de promover a sociedade nos domínios cultural, científico, desportivo, entre outros, através das actividades empreendidas pelos destinatários. Embora se trate de um apoio desinteressado, a pessoa ou entidade beneficiada dedica, muitas vezes, a obra produzida ao seu patrono, prestando-lhe homenagem e consolidando o seu estatuto social.
O termo mecenato deriva de Gaius Mecenas (m.VIII d.C.) um político romano, conselheiro do imperador Augusto e amante das letras que protegeu e ajudou escritores seus contemporâneos como Virgílio, Horácio e Tito Lívio. O seu apelido é habitualmente usado como sinónimo de patrono e símbolo do rico benfeitor das artes. A prática é-lhe, no entanto, muito anterior pois os faraós do Egipto e os tiranos Gregos como Péricles favoreceram a criação artística como meio esplendoroso de afirmar a sua grandeza. De qualquer forma, o objectivo mudou dado que o patrono não busca a obtenção de reconhecimento ou glória em resposta à sua oferta, que se quer puramente unilateral.
O mecenato foi uma prática comum não só durante a época clássica mas também por toda a Idade Média e Renascença, tendo sido praticado por príncipes, reis, papas ou, até mesmo, por nobres ricos e poderosos. Miguel Ângelo e Galileu Galilei são dois bons exemplos de artistas apoiados por essa actividade: o primeiro beneficiou do mecenato do papa Júlio II para aprimorar e aplicar o seu conhecimento e talento na pintura, escultura, arquitectura e poesia ; o segundo usufruiu da ajuda do marquês Del Monte e do grão-duque da Toscânia, Cosimo II de Medici, na sua longa carreira como matemático, cientista e inventor. O papa Leão X e Lourenço de Médicis estão, também, entre os mecenas italianos mais conhecidos.»

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O que é... mito

«Um mito (do grego antigo μυθος, translit. "mithós") é uma narrativa de caráter simbólico, relacionada a uma dada cultura. O mito procura explicar a realidade, os fenômenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis.
Ao mito está associado o rito. O rito é o modo de se pôr em ação o mito na vida do homem - em cerimônias, danças, orações e sacrifícios.
O termo "mito" é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso) de diversas comunidades. No entanto, até acontecimentos históricos se podem transformar em mitos, se adquirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura. Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas que, organizados, constituem uma mitologia - por exemplo, a mitologia grega e a mitologia romana.
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo
.
(Recolhido em http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito, 1/12/2011)

O que é... símbolo

Clique em http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=285&Itemid=2

O que é... arquétipo

Clique em http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=801&Itemid=2

O que é... lenda

Clique em http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=902&Itemid=2

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O que é...? Trovador

«Designava, na lírica trovadoresca, o poeta que escrevia a poesia e compunha a música das cantigas e também as executava, acompanhado de um instrumento musical. Geralmente, pertencia à aristocracia, sendo por isso uma pessoa culta, que não esperava qualquer recompensa material; mas também podia ser um fidalgo decaído. É a sua condição nobre que explica o seu talento, pois estudara as regras da Retórica, da Poética e da Música.» [Massaud Moisés, Dicionário de Termos Literários, adapt.].

O que é...? Segrel

«Trata-se de uma classe intermédia entre o trovador e o jogral. Enquanto o jogral provinha das classes mais baixas, o segrel costumava ser um fidalgo de baixa patente [escudeiro], que, não tendo meios para aspirar ao estado cavaleiresco, buscava na poesia um meio de viver, tornando-se para isso trovador profissional. Viajava a cavalo de corte em corte, de castelo em castelo, de cidade em cidade ou acompanhando as hostes do rei, para ali exercer o seu ofício, interpretando cantigas próprias ou alheias. Por vezes fazia-se acompanhar por um executante [jogral]. Em síntese, o segrel distingue-se do trovador pelo facto de receber pelas suas canções, e do jogral porque é fidalgo e compõe canções profissionalmente.» [Massaud Moisés, Dicionário de Termos Literários, adapt.].
Lido em http://eurosophia.com/glossarios/literatura.htm (20/10/2011)

O que é...? Jogral

Jogral

Artista ambulante que, na época medieval, ganhava a vida divertindo o público com música e poesia ou com os seus ditos engraçados, com jogos de mão, acrobacia, mímica, etc.. Geralmente, o jogral provinha das classes sociais mais humildes; costumava acompanhar o trovador pelas cortes, entoando as suas cantigas; contudo, por vezes, se tivesse talento, podia criar e executar canções e melodias da sua autoria, subindo, assim, à categoria de trovador. Por esta razão rivalizava com os trovadores e com os segréis.

Com excepção dos meios clericais, a transmissão literária nos séculos XII e XIII era feita ainda por intermédio dos jograis, que nas feiras, festas, torneios e castelos ofereciam espectáculos, música, canções e histórias variadas [História Universal da Literatura Portuguesa, Texto Editora, adapt. & Dicionário de Termos Literários, adapt.].

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O que é...? Superstrato

«É o conjunto de vestígios linguísticos deixados pela língua dos povos invasores. O vocabulário da língua do território dominado foi acrescido com elementos linguísticos dos povos que o dominaram durante um curto período de tempo. Nesta situação, encontram-se em Portugal os elementos árabes (açorda, álcool, algarismo, alface, oxalá...) e os germânicos (guerra, elmo, lava, sala, raça...).»
Gramática de Português, Porto Editora, 2008, p. 26
Cf. Dicionário Hoauiss: «Língua do povo conquistador, que se introduz amplamente na área de outra língua, do povo conquistado, mas que não a substitui e pode deixar de existir naquela área, deixando, entretanto, marcada a sua passagem por certos traços que permaneceram na língua do povo conquistado (...) ETIM. Lat. superstratus, a, um 'estender sobre, pôr em cima, cobrir de, juncar, alastrar» (vol. VI,. p. 3417)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que é...? Substrato

«É o conjunto de vestígios das línguas indígenas ou daquelas que faziam a camada linguística que cedeu lugar à língua dos povos invasores. Estão nesta situação os elementos linguísticos que se conservam em Portugal provenientes dos Celtas (camisa, légua, Minho, caminho...), dos Fenícios (hino, harmonia, âncora, câmara, gramática, banho...), dos Iberos (modorra, sarna...)»
Gramática de Português, Porto Editora, 2008, p. 26

Cf. Dicionário Hoauiss: «Língua que em dado território foi substituída por outra, geralmente do povo conquistador, deixando nesta traços perceptíveis. (...) ETIM. Lat. substratus, i 'acção de estender por cima ou por baixo'»
 (Vol. VI, pp. 3403-3404)