Comunidade de leitura virtual dos alunos e professores da turma E do 11º ano da Escola Secundária de Vila Verde **************************************************************************************************************************************************************************************** Disciplina de opção: Literatura Portuguesa
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
O que é... lenda
Os Livros de Linhagens
«Os Livros de Linhagens, a que no século XVI se deu também o nome de Nobiliários, são quatro obras escritas durante a Idade Média onde se descreve a genealogia das principais famílias nobres no reino. O primeiro, também chamado Livro Velho e o quarto, conhecido como Nobiliário do Conde D. Pedro de Barcelos, estão completos. Dos restantes chegaram até nós apenas fragmentos (Segundo de Linhagens, ou Segundo Livro Velho, e Terceiro Livro de Linhagens, ou Nobiliário da Ajuda). O Livro do Conde D. Pedro de Barcelos é o mais desenvolvido dos quatro, tendo o autor pretendido apresentar um resumo da história universal. D. Pedro, Conde de Barcelos, era filho natural de D. Dinis e bisneto de Afonso X. Os Livros de Linhagens foram publicados no século XIX por Alexandre Herculano nos Portugaliae Monumenta Historica, volume dedicado aos Scriptores.»
(Recolhido em http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/linhagem.htm, 1/12/2011)
Teste de avaliação sumativa
Objetivos
- Identificar as finalidades que presidiram à elaboração dos Livros de Linhagens
- Aperceber-se do valor literário e social da obra
- Verificar a interseção de vários planos na construção da obra ( a história, a narrativa, a simbologia)
- a figura histórica do Conde D. Pedro
- os três livros de Linhagens
- o "prólogo", sua definição e funcionalidade
- o conteúdo do prólogo do Livro de Linhagens, designadamente as razões políticas e religiosas, económicas, sociais e éticas
- episódios dos Livros de Linhagem, tendo em conta os seguintes conceitos: simbolismo, lenda, mito, mito fundacional
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Se servem para os políticos, também servem para o 10ºG
«Os conectores mais utilizados no discurso político
[Pergunta] Queria perguntar quais são os conectores de discurso mais utilizados no discurso político? Quais as características e estrutura do discurso político? Estas perguntas relacionam-se com o programa escolar de 11.º ano – Português.
Vera Costa, Estudante, Porto, Portugal
[Resposta] O discurso político é um texto argumentativo e, como tal, apresenta a estrutura e características desta tipologia textual. O texto pode ser estruturado da seguinte forma:
— Introdução: Contém a tese inicial — o ponto de vista ao qual o autor do texto quer fazer aderir o leitor —, que deve ser formulada de forma clara e objetiva.
— Desenvolvimento ou corpo da argumentação: Apresenta os argumentos, que se destinam a apoiar ou a refutar a tese inicial. Pode ser organizada em parágrafos, de tal forma, que cada um deles contenha uma ideia inicial. Os argumentos devem manter entre si uma ordem e uma coerência que permitam seguir com clareza o desenvolvimento do raciocínio do argumentador.
— Conclusão: Retoma a tese que se procurou provar com a exposição de argumentos.
Os argumentos a apresentar podem ser de vária ordem:
Argumentos naturais — também chamados argumentos de autoridade, incluem, entre outros, os textos das leis e as opiniões emitidas por pessoas de prestígio e entendidas na matéria sobre a qual versa o argumento;
Verdades ou princípios universais — aceites, como tal, por todos;
Exemplos — apresentação de uma situação semelhante àquela de que se está a falar.
O uso adequado dos conectores permite marcar com clareza o desenvolvimento do raciocínio e dar coesão ao texto. Conforme a relação de ideias que se pretende estabelecer, eles podem ser de:
Adição: Não só… mas também; por um lado… por outro
Certeza: é evidente que, certamente, com toda a certeza
Conclusão: em conclusão, em suma, enfim, logo, portanto
Dúvida: é provável, possivelmente, porventura
Explicitação/particularização: quer isto dizer, não se pense que
Fim/intenção: com o intuito de, com o objetivo de
Causa: uma vez que, dado que
Conseqüência: de modo que, de tal forma que
Chamada de atenção: note-se que, veja-se, tenha-se em atenção que
Confirmação: com efeito, como vimos, efetivamente
Exemplificação: por exemplo, isto é, como se pode ver, é o caso de
Hipótese/condição: se, a menos que, admitindo que
Seqüência temporal: em primeiro lugar, em seguida, depois, seguidamente
Opinião: a meu ver, estou em crer que, em nosso entender, parece-me que
Oposição/contraste: no entanto, contudo, porém, todavia
Semelhança: assim como, pela mesma razão
Síntese/resumo: por outras palavras, ou melhor, ou seja
O discurso político deve ser persuasivo e sedutor, servindo-se, para tal, de recursos de estilo, como metáforas, imagens, jogos de palavras, hipérboles, perguntas retóricas, construções paralelísticas, etc.
Bom trabalho!
Maria João Matos, 04/11/2008»
(Transcrito de www.ciberduvidas.com/, 14/11/2011)
A estrutura da argumentação segundo o Ciberdúvidas
«A estrutura da argumentação
[Pergunta] Gostaria de saber como deve ser estruturada a argumentação (conectores mais utilizados; sequência lógica deste tipo de texto).
Cecília Andrade, Professora, Santa Cruz, Portugal
[Resposta] 1. O texto argumentativo — ou sequência discursiva de tipo argumentativo1 — observa sempre dois movimentos: defesa da veracidade ou justeza de um estado de coisas (conclusão, C) e apresentação de razão (argumento, A).
A ordenação no textos destes dois movimentos pode ser sequencial (A-C ou C-A) ou entrosada (A-C-A-C; C-A-C-A) e cada movimento pode ser simples (se integra apenas um ato de composição textual2) ou complexo (se integra vários atos de composição textual). A transição A-C assenta numa garantia ou pressuposto, que vai beber ao senso comum e à tábua de valores socialmente aceite.
Basicamente, a sequência argumentativa responde à pergunta «Porque é que dizes isso?», mesmo que esta pergunta não seja (como muito frequentemente não é) explicitamente realizada.
Vejamos duas possibilidades de redução máxima dos dois movimentos constitutivos da argumentação.
Zé: «As salas de aula devem ter as mesas dispostas em U.» = Conclusão
«Digo isto porque, assim, alunos e professor podem dialogar melhor.» = Argumento
| «Todos dialogam melhor» (Argumento) → «O diálogo na sala de aula é fundamental» (Pressuposto) → «Disposição em U, sim» (Conclusão) |
Maria: «As salas de aula não devem ter as mesas dispostas em U.» = Conclusão
«Digo isto porque, assim, os alunos são tentados a copiar nos testes.» = Argumento
| «Os alunos podem copiar» (Argumento) → «Copiar nos testes é prejudicial» (Pressuposto) → «Disposição em U, não» (Conclusão) |
2. A sequência argumentativa não tem conectores privativos. Aqueles que têm alta probabilidade de ocorrência são os conectores que estabelecem relação de causa (porque, dado que, visto que); de consequência (daí que, por isso, portanto), de expansão de tópico (com efeito, sem dúvida, efectivamente), de relação de semelhança (do mesmo modo, igualmente), de exemplificação (por exemplo, particularmente, designadamente, nomeadamente), de conclusão (por todas estas razões, em síntese, definitivamente).
1 Verifica-se que, nos discursos reais, o mais provável é uma produção textual contemplar sequências de diferentes tipologias: o gênero do discurso publicitário pode contemplar sequências explicativas e argumentativas; o gênero do discurso narrativo pode integrar sequências descritivas e argumentativas; por sua vez, o sermão integra sequências narrativas, descritivas e argumentativas, entre outros exemplos possíveis.
2 São atos de composição textual a planificação, a reformulação, a avaliação, a clarificação, a reorganização, reorientação, o relançamento, a condensação, a réplica, a retoma, a elaboração, a generalização, a analogia, a ilustração, etc., sendo que os tipos de articulações privilegiados são a implicação, a condicionalidade e a causalidade.
Ana Martins, 26/03/2010»
(Transcrito de www.ciberduvidas.com/, 14/11/2011)
A argumentação segundo o Ciberdúvidas
«Argumentação
[Pergunta] Como posso construir um texto argumentativo?
Com as diferentes divisões, introdução, desenvolvimento...
Paula, Portugal
[Resposta] Em primeiro lugar, necessita definir bem o âmbito do problema, como se recomenda sempre. Presumo que pretende fazer uma argumentação e não uma dissertação. Numa dissertação, o objetivo é expor idéias em que não há opiniões divergentes conhecidas (ex. de tema: `A Terra gira à volta do Sol.´). Numa argumentação, emitimos uma opinião, sabido que há outras diferentes. O que distingue a argumentação é justamente haver divergências, e nós pretendermos influenciar e convencer (ex. de tema: `Na Aldeia Global, o novo acordo ortográfico seria útil para a lusofonia.´).
Podemos, em resumo, seguir depois os seguintes passos:
- Tema - Iniciar com uma proposição sucinta, que exprima exatamente a opinião que vamos defender, sem ambigüidades.
- Defesa dessa proposição, definindo limites e aceitando preliminarmente princípios de outras opiniões que não contrariem a nossa (ou elogio pessoal sobre quem vamos contraditar...). Usam-se então expressões como: `em parte é aceitável, mas´ ..... Depois refutação, ponto por ponto e uma por uma, de todas as opiniões que se opõem à nossa. Nesta refutação, é necessário apresentar dados concretos. A escolha dos fatos indesmentíveis, dos exemplos práticos conhecidos, dos dados estatísticos fiáveis deve ser feita por forma a que se estabeleça, sem dúvidas, `a evidência do que afirmamos´ (contra fatos não há argumentos). E é preciso muito cuidado nesta escolha, pois a argumentação contrária tende a centralizar-se nos fatos duvidosos, para solapar a `base da estrutura´ da nossa tese.
- Conclusão - Como se deve fazer sempre também, não esquecer de voltar ao tema, para concluir a argumentação. E não se trata de repetir simplesmente a proposição, mas expô-la agora, embora sucintamente, mais enriquecida com a síntese de alguns dos argumentos referidos na fase 2. Apresente esta conclusão duma maneira clara e convicta. Usam-se então expressões do tipo: `por todas as razões apontadas, eu estou firmemente convencida/o de que .....´ E a ética recomenda que se esteja mesmo convencida/o... Os especialistas da `inverdade´ conseguem parecer convencidos quando não o estão, mas para quem não tem esse talento ou disposição moral, lembro que a convicção genuína empolga e contagia (como já escrevi noutra resposta, entusiasmo vem do grego `enthousiasmós´, que significa inspiração divina).
Consulente Paula, estas são as bases do texto argumentativo; e eu podia ficar por aqui. No entanto, não resisto a dar-lhe mais um conselho, fruto da minha experiência.
Vencer uma argumentação tem um objetivo. Claro que pode ser, unicamente, dar satisfação ao nosso ego, por ter vencido. Mas o trabalho de argumentar tem freqüentemente fins mais pragmáticos: pretendemos que seja realizada alguma coisa. E, então, é indispensável uma última e fundamental fase. Se tivermos conseguido convencer com a nossa argumentação as pessoas que nos julgam, ou a assembléia que nos ouviu pelos votos que deu, não devemos preparar só a argumentação; mas, sim, pensar como é que o nosso objetivo pode ser realizado. Se há uma grande probabilidade de que os nossos argumentos irão convencer, esse passo pode ser incluído no texto, e, até, trazer-nos mais apoiantes: - Ação - Indicar, afinal, o que é necessário ter (meios) e fazer (trabalhos) para realizar o que defendemos. Mas não esquecer de propor datas para essa realização e, eventualmente, o plano das suas fases. Incluir a forma de verificar e corrigir atrasos. Finalmente, numa fase posterior, pedir responsabilidades e considerar penalidades a atribuir, se indispensáveis.
D´Silvas Filho, 09/12/1999»
(Transcrito de www.ciberduvidas.com/, 14/11/2011)
O que é... cantiga de escárnio e de maldizer?
«CANTIGA DE ESCÁRNIO E CANTIGA DE MALDIZER – A cantiga de escárnio é aquela em que a sátira se constrói indiretamente, por meio da ironia e do sarcasmo, usando “palavras cobertas, que hajam dois entendimentos para lhe lo não entenderem”, como reza a Poética Fragmentária que precede o Cancioneiro da Biblioteca Nacional (antigo Colocci-Brancuti). Na de maldizer, a sátira é feita diretamente, com agressividade, “mais descobertamente”, com “palavras que querem dizer mal e não haverão outro entendimento senão aquele que querem dizer chãmente”, como ensina a mesma Poética Fragmentária.
Essas duas formas de cantiga satírica, não raro escritas pelos mesmos trovadores que compunham poesia lírico-amorosa, expressavam, como é fácil depreender, o modo de sentir e de viver próprio de ambientes dissolutos, e acabaram por ser canções de vida boemia e escorraçada, que encontrava nos meios frascários e tabernários seu lugar ideal. A linguagem em que eram vazadas admitia, por isso, expressões licenciosas ou de baixo-calão: poesia “maldita”, descambando para a pornografia ou o mau gosto, possui escasso valor estético, mas em contrapartida documenta os meios populares do tempo, na sua linguagem e nos seus costumes, com uma flagrância de reportagem viva.» Massaud Moisés, A literatura portuguesa
(transcrito de http://www.coladaweb.com/literatura/trovadorismo em 14/11/2011)
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