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sábado, 17 de março de 2012

Aprender com Pedro Mexia

Entendamo-nos: não quero que escrevam como Pedro Mexia. Não quero que escrevam como ninguém. Quero que escrevam de forma simples, pensando algo como: "Como dar uma ideia clara deste livro à pessoa que ler o meu PIL?"

Regra n.º 1: Ler. Ler muito bem. Ler quantas vezes forem necessárias para entender. (mesmo assim não entendem? não gostam? é fácil: a lista de livros é extensa, escolham OUTRO livro).

Regra n.º 2: Pensar. O que vou dizer? Como vou estruturar o meu texto?

Regra n.º 3: Escrever tópicos.

Regra n.º 4: Procurar informação acerca daquele livro ou daquele autor. (Porquê só agora?, perguntam vocês. Por causa da "angústia das influências". Porque devem pensar primeiro, sem que ninguém vos influencie. Depois consultam outras fontes e tanto podem concordar como discordar. Podem - e devem - referir essa concordância/ discordância no PIL)

Regra n.º 5: Começar a redigir. Incluir as regras de análise (categorias da narrativa, do texto dramático, do texto poético) que aprenderam. Com simplicidade, quando vier a propósito. Não há autor (a não ser na parte biográfica ou para evitar repetições desagradáveis), há narrador, dramaturgo, sujeito (ou eu) poético). Exemplificar cada afirmação vossa. Transcrever com correcção.


Regra n.º 6: Reler, pondo-se "nos sapatos" de quem vai ler o PIL: perceberá o que eu quero dizer? escrevi o essencial ou escapou-me algo? a minha escrita é clara? Fiz uma apreciação geral, desenvolvi-a e justifiquei as minhas afirmações, concluí aludindo de forma concisa a tudo o que está para trás?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Se servem para os políticos, também servem para o 10ºG

 

«Os conectores mais utilizados no discurso político


[Pergunta] Queria perguntar quais são os conectores de discurso mais utilizados no discurso político? Quais as características e estrutura do discurso político? Estas perguntas relacionam-se com o programa escolar de 11.º ano – Português.

Vera Costa, Estudante, Porto, Portugal

[Resposta] O discurso político é um texto argumentativo e, como tal, apresenta a estrutura e características desta tipologia textual. O texto pode ser estruturado da seguinte forma:
Introdução: Contém a tese inicial — o ponto de vista ao qual o autor do texto quer fazer aderir o leitor —, que deve ser formulada de forma clara e objetiva.
Desenvolvimento ou corpo da argumentação: Apresenta os argumentos, que se destinam a apoiar ou a refutar a tese inicial. Pode ser organizada em parágrafos, de tal forma, que cada um deles contenha uma ideia inicial. Os argumentos devem manter entre si uma ordem e uma coerência que permitam seguir com clareza o desenvolvimento do raciocínio do argumentador.
Conclusão: Retoma a tese que se procurou provar com a exposição de argumentos.
Os argumentos a apresentar podem ser de vária ordem:
Argumentos naturais — também chamados argumentos de autoridade, incluem, entre outros, os textos das leis e as opiniões emitidas por pessoas de prestígio e entendidas na matéria sobre a qual versa o argumento;
Verdades ou princípios universais — aceites, como tal, por todos;
Exemplos — apresentação de uma situação semelhante àquela de que se está a falar.
O uso adequado dos conectores permite marcar com clareza o desenvolvimento do raciocínio e dar coesão ao texto. Conforme a relação de ideias que se pretende estabelecer, eles podem ser de:
Adição: Não só… mas também; por um lado… por outro
Certeza: é evidente que, certamente, com toda a certeza
Conclusão: em conclusão, em suma, enfim, logo, portanto
Dúvida: é provável, possivelmente, porventura
Explicitação/particularização: quer isto dizer, não se pense que
Fim/intenção: com o intuito de, com o objetivo de
Causa: uma vez que, dado que
Conseqüência: de modo que, de tal forma que
Chamada de atenção: note-se que, veja-se, tenha-se em atenção que
Confirmação: com efeito, como vimos, efetivamente
Exemplificação: por exemplo, isto é, como se pode ver, é o caso de
Hipótese/condição: se, a menos que, admitindo que
Seqüência temporal: em primeiro lugar, em seguida, depois, seguidamente
Opinião: a meu ver, estou em crer que, em nosso entender, parece-me que
Oposição/contraste: no entanto, contudo, porém, todavia
Semelhança: assim como, pela mesma razão
Síntese/resumo: por outras palavras, ou melhor, ou seja
O discurso político deve ser persuasivo e sedutor, servindo-se, para tal, de recursos de estilo, como metáforas, imagens, jogos de palavras, hipérboles, perguntas retóricas, construções paralelísticas, etc.
Bom trabalho!

Maria João Matos, 04/11/2008»

(Transcrito de www.ciberduvidas.com/, 14/11/2011)

A estrutura da argumentação segundo o Ciberdúvidas

«A estrutura da argumentação

[Pergunta] Gostaria de saber como deve ser estruturada a argumentação (conectores mais utilizados; sequência lógica deste tipo de texto).

Cecília Andrade, Professora, Santa Cruz, Portugal

[Resposta] 1. O texto argumentativo — ou sequência discursiva de tipo argumentativo1 — observa sempre dois movimentos: defesa da veracidade ou justeza de um estado de coisas (conclusão, C) e apresentação de razão (argumento, A).
A ordenação no textos destes dois movimentos pode ser sequencial (A-C ou C-A) ou entrosada (A-C-A-C; C-A-C-A) e cada movimento pode ser simples (se integra apenas um ato de composição textual2) ou complexo (se integra vários atos de composição textual). A transição A-C assenta numa garantia ou pressuposto, que vai beber ao senso comum e à tábua de valores socialmente aceite.
Basicamente, a sequência argumentativa responde à pergunta «Porque é que dizes isso?», mesmo que esta pergunta não seja (como muito frequentemente não é) explicitamente realizada.
Vejamos duas possibilidades de redução máxima dos dois movimentos constitutivos da argumentação.

Zé: «As salas de aula devem ter as mesas dispostas em U.» = Conclusão
«Digo isto porque, assim, alunos e professor podem dialogar melhor.» = Argumento

«Todos dialogam melhor» (Argumento) «O diálogo na sala de aula é fundamental» (Pressuposto) «Disposição em U, sim» (Conclusão)

Maria: «As salas de aula não devem ter as mesas dispostas em U.» = Conclusão
«Digo isto porque, assim, os alunos são tentados a copiar nos testes.» = Argumento

«Os alunos podem copiar» (Argumento) «Copiar nos testes é prejudicial» (Pressuposto) «Disposição em U, não» (Conclusão)

2. A sequência argumentativa não tem conectores privativos. Aqueles que têm alta probabilidade de ocorrência são os conectores que estabelecem relação de causa (porque, dado que, visto que); de consequência (daí que, por isso, portanto), de expansão de tópico (com efeito, sem dúvida, efectivamente), de relação de semelhança (do mesmo modo, igualmente), de exemplificação (por exemplo, particularmente, designadamente, nomeadamente), de conclusão (por todas estas razões, em síntese, definitivamente).
1 Verifica-se que, nos discursos reais, o mais provável é uma produção textual contemplar sequências de diferentes tipologias: o gênero do discurso publicitário pode contemplar sequências explicativas e argumentativas; o gênero do discurso narrativo pode integrar sequências descritivas e argumentativas; por sua vez, o sermão integra sequências narrativas, descritivas e argumentativas, entre outros exemplos possíveis.
2 São atos de composição textual a planificação, a reformulação, a avaliação, a clarificação, a reorganização, reorientação, o relançamento, a condensação, a réplica, a retoma, a elaboração, a generalização, a analogia, a ilustração, etc., sendo que os tipos de articulações privilegiados são a implicação, a condicionalidade e a causalidade.

Ana Martins, 26/03/2010»

(Transcrito de www.ciberduvidas.com/, 14/11/2011)

A argumentação segundo o Ciberdúvidas

 

«Argumentação


[Pergunta] Como posso construir um texto argumentativo?
Com as diferentes divisões, introdução, desenvolvimento...

Paula, Portugal

[Resposta] Em primeiro lugar, necessita definir bem o âmbito do problema, como se recomenda sempre. Presumo que pretende fazer uma argumentação e não uma dissertação. Numa dissertação, o objetivo é expor idéias em que não há opiniões divergentes conhecidas (ex. de tema: `A Terra gira à volta do Sol.´). Numa argumentação, emitimos uma opinião, sabido que há outras diferentes. O que distingue a argumentação é justamente haver divergências, e nós pretendermos influenciar e convencer (ex. de tema: `Na Aldeia Global, o novo acordo ortográfico seria útil para a lusofonia.´).
Podemos, em resumo, seguir depois os seguintes passos:
  1. Tema - Iniciar com uma proposição sucinta, que exprima exatamente a opinião que vamos defender, sem ambigüidades.
  2. Defesa dessa proposição, definindo limites e aceitando preliminarmente princípios de outras opiniões que não contrariem a nossa (ou elogio pessoal sobre quem vamos contraditar...). Usam-se então expressões como: `em parte é aceitável, mas´ ..... Depois refutação, ponto por ponto e uma por uma, de todas as opiniões que se opõem à nossa. Nesta refutação, é necessário apresentar dados concretos. A escolha dos fatos indesmentíveis, dos exemplos práticos conhecidos, dos dados estatísticos fiáveis deve ser feita por forma a que se estabeleça, sem dúvidas, `a evidência do que afirmamos´ (contra fatos não há argumentos). E é preciso muito cuidado nesta escolha, pois a argumentação contrária tende a centralizar-se nos fatos duvidosos, para solapar a `base da estrutura´ da nossa tese.
  3. Conclusão - Como se deve fazer sempre também, não esquecer de voltar ao tema, para concluir a argumentação. E não se trata de repetir simplesmente a proposição, mas expô-la agora, embora sucintamente, mais enriquecida com a síntese de alguns dos argumentos referidos na fase 2. Apresente esta conclusão duma maneira clara e convicta. Usam-se então expressões do tipo: `por todas as razões apontadas, eu estou firmemente convencida/o de que .....´ E a ética recomenda que se esteja mesmo convencida/o... Os especialistas da `inverdade´ conseguem parecer convencidos quando não o estão, mas para quem não tem esse talento ou disposição moral, lembro que a convicção genuína empolga e contagia (como já escrevi noutra resposta, entusiasmo vem do grego `enthousiasmós´, que significa inspiração divina).
    Consulente Paula, estas são as bases do texto argumentativo; e eu podia ficar por aqui. No entanto, não resisto a dar-lhe mais um conselho, fruto da minha experiência.
    Vencer uma argumentação tem um objetivo. Claro que pode ser, unicamente, dar satisfação ao nosso ego, por ter vencido. Mas o trabalho de argumentar tem freqüentemente fins mais pragmáticos: pretendemos que seja realizada alguma coisa. E, então, é indispensável uma última e fundamental fase. Se tivermos conseguido convencer com a nossa argumentação as pessoas que nos julgam, ou a assembléia que nos ouviu pelos votos que deu, não devemos preparar só a argumentação; mas, sim, pensar como é que o nosso objetivo pode ser realizado. Se há uma grande probabilidade de que os nossos argumentos irão convencer, esse passo pode ser incluído no texto, e, até, trazer-nos mais apoiantes:
  4. Ação - Indicar, afinal, o que é necessário ter (meios) e fazer (trabalhos) para realizar o que defendemos. Mas não esquecer de propor datas para essa realização e, eventualmente, o plano das suas fases. Incluir a forma de verificar e corrigir atrasos. Finalmente, numa fase posterior, pedir responsabilidades e considerar penalidades a atribuir, se indispensáveis.

D´Silvas Filho, 09/12/1999»

(Transcrito de www.ciberduvidas.com/, 14/11/2011)