domingo, 28 de outubro de 2012

Declamar: todo um programa...

Como sabem, de acordo com o programa de literatura portuguesa, nas aulas de poesia deve haver momentos de declamação, "performance" e dramatização.
 
Porém, declamar é "todo um programa". Há tantas versões de um poema quantas as pessoas que se decidirem declamá-lo. E, embora esteja ciente de que o que vou escrever escandalizará muitos, não sou grande apreciadora de um dos mais conhecidos declamadores nacionais, João Villaret. É por saudosismo que gosto de o ouvir.
 
Detesto histerias declamatórias. Ao invés, gosto de leituras, e declamações, bastante neutras. Aprecio um - nem sempre muito neutro - Mário Viegas.
 
E vocês? O trabalho para casa que lhes proponho consiste em escolher, das diversas versões do poema de António Nobre que publiquei, aquela que lhes agrada mais. Num texto com um mínimo de 90 e um máximo de 100 palavras, devem justificar a vossa escolha (obedecendo aos preceitos do texto de apreciação crítica).

[Na praia lá da Boa Nova, um dia], António Nobre - Carla Bolito


[Na praia lá da Boa Nova, um dia], António Nobre - Daniel Maia-Pinto Rod...


[Na praia lá da Boa Nova, um dia], António Nobre - Rita Reis


[Na praia lá da Boa Nova, um dia], António Nobre - Mick Mengucci


Um Poema por Semana, RTP2 - Antonio Nobre - Claudia Effe .mp4


Quem foi... António Nobre? II

 
«Perfil Literário

 
A debilidade física e a preocupação com a morte foi algo que marcou de forma indelével a sua personalidade, desde logo por ser o mais mimado e superprotegido da família, e concedeu à sua obra o carácter egotista que a caracteriza.

Se nos seus poemas pesa o pendor triste, dramático e desesperado, nas suas cartas vibra aqui e além o apego à vida, a esperança da cura e também a alegria.

A sua escrita entre 1895 e 1889, com algumas excepções de sonhos de amor e glória, dão largas à amargura e angústia de uma existência vincada pelo medo da morte mas também pela resignação.

Só, o livro referência que nos deixou, foi publicado em Paris em 1892, considerado pelo próprio "o livro mais triste que há em Portugal". O livro surge no contexto de depressão moral colectiva quando ainda se fazia sentir a vaga de comoção originada pelo romantismo, mas o Só é também marcado pelo temperamento melancólico de A. Nobre, pela subjectividade expressa na exclusiva preocupação consigo próprio, mesmo quando se mostra atento ao mundo envolvente que o liga às memórias da infância.

A importância de A. Nobre é fruto da forma coloquial e efabulada como soube falar de si mesmo, especialmente no Só. A sua compleição frágil e porte sedutor faziam com que se notasse em toda a parte, a forma como compunha as suas roupas evidenciavam-no, o seu amigo Alberto Oliveira informa-nos que: "deu nas vistas, e as mais bonitas raparigas prendiam nos dele os seus olhos...".

A exacerbada consciência da sua singularidade, a confiança no interesse espontâneo que suscitava e que ele procurava tornar mais vivo, são a calda de originalidade dos seus poemas, ou seja, António Nobre sobrepõe-se a todas as influências possíveis de encontrar nos seus versos: o romantismo, o realismo e o simbolismo.


Insere-se numa estética decadentista/simbolista, renovando o romantismo de Garrett e anunciando o modernismo de Sá-Carneiro. É figura dominante do grupo Boémia Nova. A tuberculose, que cedo o atacou, forçou-o a uma vida de peregrinação pela Suíça, Inglaterra e Madeira, acabando por morrer precocemente, o que não impediu que o nome de António Nobre figura entre os grandes poetas da literatura portuguesa de todos os tempos, levando Fernando Pessoa a afirmar: "Ele foi o primeiro a pôr em europeu este sentimento português das almas e das coisas, que tem pena de que umas não sejam corpos, para lhes poder fazer festas, e de que outras não sejam gente, para poder falar com elas".»